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Sampa Foto Clube no caderno Link, do Estadão. PDF Print E-mail
Written by Gabriel Nascimento   
Wednesday, 30 April 2008
08_04_30_estadao.jpg No ultimo dia 27 o Sampa foi assunto no caderno de tecnologia Link, do jornal Estado de São Paulo. Em uma edição quase que totalmente voltada a discussão  entre a fotografia digital e analógica, o fotoclube foi lembrado pela utilização da fotografia em filme com o intuíto de praticar e desenvolver o olhar fotográfico de seus associados. A primeira 'Oficina de Filme', como é chamada a atividade, foi realizada no mês de Março com o objetivo de incentivar entre os integrantes do fotoclube o descobrimento de uma melhor fotografia; seja buscando um melhor ângulo ou uma boa iluminação com apenas 24 poses de um filme preto e branco.

 O resultado alcançado foi discutido entre os participantes em um estudo coletivo, mostrando o que poderia ser melhorado ou não, seja numa fotografia analógica ou digital. Ainda irão ocorrer outros encontros nesse molde, sempre com a finalidade de incentivar o aprendizado e a busca de uma boa fotografia.

Como resultado desse trabalho, a evolução artística e técnica do associado pode fazer com que ele esteja preparado para participar de festivais, exposições e bienais, colocando realmente em prática o seu aprendizado.







Fotoclube de São Paulo reúne jovens fotógrafos que voltam à fotografia analógica com o objetivo de valorizar cada clique, buscando o ângulo e a luz mais adequados

Lucas Pretti



Apesar de ter nascido já inserido à cultural digital (e justamente por isso), um grupo de fotógrafos em São Paulo decidiu se reunir em um fotoclube para exercitar o “olhar analógico”. Ou seja, reaprender a fazer boas fotos com um número limitado de cliques.

A idéia por trás dessa aparente maluquice é que, com uma câmera digital, é possível tirar quantas fotos o cartão de memória agüentar sem custo adicional. A conseqüência dessa falta de limites é que a maioria das pessoas perdeu a capacidade de pensar na foto que está fazendo.

"Com o negativo, é preciso pensar na imagem que você quer, o que não acontece na câmera digital”, afirma Gabriel Nascimento, um dos diretores do Sampa Foto Clube. No início de março, todos foram ao Parque do Ibirapuera com um filme preto-e-branco de 24 poses. Passaram duas horas escolhendo os ângulos e as luzes ideais.

Tanto Nascimento, de 22 anos, como os outros membros fotografam sempre com câmeras digitais modernas; nada de filme nas produções do dia-a-dia. Mas a educação do olhar, segundo ele, não chega de outra forma a não ser pelo risco de “perder” uma imagem. “Se eu tenho 24 poses, não posso fazer centenas de fotos, errar e consertar.” Eles bebem na fonte analógica para melhorar sua produção digital. Faz sentido, não?

SAUDOSISMO, NÃO
Fotógrafos e especialistas são unânimes em afirmar que as diferenças técnicas entre as câmeras de hoje e as “clássicas” são imperceptíveis. De onde se conclui que, se há uma vítima da mistura entre o antigo e o novo na fotografia, esse alguém é o filme.

“Defender os filmes pensando em qualidade técnica é puro saudosismo”, afirma o pesquisador e professor de fotografia científica no Senac-SP Fernando Fogliano. “Não há qualquer diferença a olho nu quando a finalidade não é artística."

Segundo Fogliano, tecnicamente não há nenhum efeito produzido por filmes que não possa ser alcançado pela tecnologia digital. Até imagens impressas em tamanho grande não precisam de negativo. Com a vantagem de as câmeras novas terem trazido outras possibilidades.

“Com o digital, dá para desconstruir as imagens, elas ficam flexíveis. Isso é muito positivo para qualquer finalidade, principalmente profissional”, diz o pesquisador. “Por incrível que pareça, quanto mais a fotografia avança, mais nos aproxima da pintura.” Fogliano quer dizer que as imagens estão cada vez mais manipuláveis, no bom sentido.

O mercado de equipamentos fotográficos já sentiu a hegemonia digital sobre os filmes. Há dez anos, o número de negativos vendidos por ano no Brasil girava em torno dos 90 milhões. Hoje, não passam de 30 milhões, de acordo com levantamento da Comunidade Mundial de Associações da Imagem (PMA). A própria entidade sente o enfraquecimento do cenário. Eram 500 os associados há quatro anos, hoje são 350.

“Nossos números mostram que um terço das lojas especializadas em vender filmes e acessórios para câmeras analógicas fecharam ou mudaram de ramo”, afirma o diretor da PMA no Brasil, Roberto Ricci.

NICHOS
Mesmo com o pessimismo, de acordo com comerciantes, ainda há dois públicos específicos que consomem negativos: estudantes e amadores, que tiram fotos por hobby. A maioria dos cursos de design, arquitetura, jornalismo e artes plásticas, entre outros, ensinam técnicas em câmeras tradicionais.

“Geralmente vendemos filme por filme para estudantes ou pacotões para quem usa como diversão. Infelizmente não sobrevivemos disso”, afirma um dos sócios da Consigo, loja especializada em equipamentos da rua Conselheiro Crispiniano, em São Paulo, onde ainda se encontra filmes com certa facilidade.

Otávio Yoshiga, dono da loja Angel, também teve de adaptar o negócio à realidade digital, só que não mudou de opinião. “Digital, para mim, é só para brincar.”
Independentemente de opiniões e gostos, o fato é que não há mais barreiras. E qualquer resistência, de acordo com especialistas, é puro preciosismo. “As pessoas se prendem a idéias sobre as quais não têm certeza”, diz o fotógrafo Guilherme Maranhão, que tem quatro fotos no acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM). Apesar de “pagar as contas fazendo casamentos”, Maranhão se orgulha de dizer que expôs na semana passada uma imagem produzida com câmera digital na Feira Internacional de Arte de São Paulo (SP Arte).

“Muitos não compreendem, mas utilizo os dois tipos de câmeras no dia-a-dia do trabalho. Apesar de equivalentes, é mais simples produzir determinados efeitos com o negativo e vice-versa”, afirma Maranhão. “A riqueza da discussão é misturar analógico com digital. O produto final sai melhor.” Chega-se novamente ao conceito da contra-revolução apontada pela pesquisa do instituto Info Trends.

(Caderno Link - Estado de São Paulo / 27.04.2008)






Last Updated ( Thursday, 01 May 2008 )
 
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